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O caixa da sua empresa não é um caixa eletrônico

Colunista: Celso Cunha

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Ao longo de quase vinte anos de consultoria percebi que um dos maiores erros dos gestores nas micro e pequenas empresas é a confusão entre pessoas física e jurídica.  Errar é muito fácil e é louvável aprender com os erros, desde que não se repitam. Mas nesse caso em particular, as pessoas erram sem saber que estão errando e alguns se aborrecem quando são chamadas à atenção. É um exercício de mudança de conceito, comparado a um trabalho de parto, convencer o empreendedor que a função da empresa não é bancar os custos pessoais que ele acha que merece.

Para ilustrar o tema segue aqui um caso real:

Chegava eu a uma empresa com meu contratante para mais uma consultoria, nesse caso uma academia. No caminho ele me relatara dificuldades no cumprimento das obrigações financeiras e o baixo faturamento que o levou a contratar meus serviços. Ao passarmos pela recepção, ele indagou à recepcionista sobre o valor que havia no caixa e ela o informou: “Quatrocentos e vinte reais.” Ele, então, sentenciou: “Me dê R$ 400,00 e fique com R$ 20,00 para troco.”

Ela não emitiu recibo de retirada, ele não assinou nada e vida que segue!

Ao questioná-lo sobre sua retirada, ele justificou que usaria o valor para abastecer o carro e fazer compras no supermercado.

Conversamos por mais de uma hora em seu escritório e entendi que a informalidade imperava naquela instituição: era rotina atrasar salários, impostos, contas de toda ordem, inclusive as pessoais como cartão de crédito, contas de luz, telefone, internet, colégio dos filhos etc. Tudo saía dali e não havia o menor controle sobre a capacidade de pagamento da empresa.

Sugeri que, recorrendo aos dados de períodos anteriores, emitíssemos relatórios mensais e apurássemos resultados e assim o fizemos. Ele se mostrou surpreso ao saber que a empresa sofria para suprir os gastos dele e da família e que o faturamento declinava por não haver reinvestimento na estrutura física, equipamentos e treinamento da equipe. E tentou justificar dizendo: “Essa empresa é minha. Ela existe para me manter!”.

Naquele momento, havia em minha mão o cartão de visitas dele, em uma cartolina rosa, bem simples, e abaixo do nome seguia a inscrição: “Diretor Presidente”.

Ao concluir o relatório com o diagnóstico e prognóstico sentenciei em três opções o que poderia ser um caminho além do fato de obrigatoriamente ter de organizar a parte administrativa e financeira:

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  • Assumir funções operacionais na empresa dispensando alguns integrantes menos necessários ou mais onerosos da equipe e sendo remunerado por isso.
  • Buscar uma segunda fonte de receita para complementar sua renda equilibrando suas despesas pessoais e familiares.
  • Determinar um salário fixo para si dentro da capacidade de pagamento da empresa, respeitando o capital de giro e as reservas de capital.

Desejei-lhe boa sorte e encerrei a consultoria.

Ele me ligou algumas vezes para orientá-lo em ajustes na gestão da equipe. Quando voltei a questioná-lo sobre a separação entre receitas e despesas da pessoa física e jurídica disse não ser possível ainda por estar com obras na casa de praia.

Caso encontre alguma semelhança entre o caso narrado aqui e a rotina de sua empresa as cartas estão na mesa!

Sugiro que, na prática, as finanças de sua empresa e as pessoais operem como os dois bolsos laterais de uma calça. Eles não se tocam. O gestor deve assumir a função de um maestro, determinando quem faz o que e quando; além de supervisionar resultados, analisá-los e propor mudanças, caso necessário. Não seja um peso para sua empresa, assuma o papel de protagonista e lidere sua equipe projetando a perpetuação do negócio, pois o caixa de sua empresa não é um caixa eletrônico. Mas, mesmo que fosse, um dia a conta chega.

Bons negócios e boa sorte!

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